"Lasciate ogui speranza, voi ch'entrate".
Dante Aliguieri
ou seja:
"Deixai qualquer esperança, vós que entrais".
- Frase escrita no portão do Inferno, na Divina Comédia de Dante.
A última vez que estive aqui falei sobre consciência política. Sim, o meu grupo venceu. Porém esqueçam tudo sobre a consciência política. Duciomar e o G.W. Bush venceram, o que me leva crer num resgate conservador em micro (Dudu) e macro (G.W. Bush) escala. A vitória em campo micro demonstra que o povo não sabe discernir coisa alguma com mais de um palmo de distância do nariz (vide para compreender a expressão e a profissão do prefeito eleito enquanto médico).
Em escala macro mostra que o retrocesso do pensamento volta a ameaçar os dias lindos. O povo americano decidiu claramente que prefere um candidato que se preocupa em proibir o aborto e a pesquisa com células-tronco e invadir o Iraque e matar tantos os estadunidenses (me recuso a chamá-los de americanos e dizer que eles são a América, pois faço parte da mesma e sou classificado como latino) quando os iraquianos. É justo provocar uma guerra, matar ou morrer pela Democracia? Se a revolução devesse sair de algum lugar, teria que ser de dentro do Iraque, da vontade do próprio povo, da sede própria por democracia. Não conto alguns anos pra outro ditador se instalar lá.
"Ah, Murilo, mas eles não sabem o que é democracia"! Então me digam o que é democracia. Democracia é a vontade do povo em sua maioria. Não existe uma fórmula pré-pronta de democracia, existem modelos. Se os iraquianos desejassem isto, buscariam não pelo título de se autoproclamar democrático (coisa que alguns países se proclamam e não são, que isto fique claro), mas buscariam a essência da libertade e da igualdade. Se chamasse isto de babuska depois iriam perceber (tanto os iraquianos quanto o mundo), que aquela era um desejo do povo.
Eu pensei que tinha raiva da política estadunidense, só que agora percebo que o que eu realmente não gosto é do modelo americano de agir, abrangendo, desta vez, o pensamento político de toda uma nação.
No texto seguinte contém palavras de reflexão num tom anarquista com um forte sotaque alemão com algumas coisas puxando para o inglês principalmente no humor.
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer? Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
2
E também difícil, ao que nos é dito, Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma fôrma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que (o povo) custa a aprender?
(Dificuldades de Governar, por Bertolt Brecht)
Eis a mais perpétua sombra da dúvida.
p.s. (para a meia dúzia de leitores deste blógue): Prometo não falar mais de política tão cedo. Estou nefastamente chateado com tudo isto.
p.s. atualizarei este blógue novamente com maior freqüência. PROMETO.
p.s. não vou morrer de febre, espero.
blasé!