Interlúdio: Tesouras
Peço perdao por interromper a série de textos sobre a Odisséia Platina deste jovem barbudo, porém há um poema entre meus dentes. Aqui está:
Tesouras
Os fios caem.
Marcas de chao orientam
Homens de giz.
Caem os cabelos, seus
Restos no travesseiro.
Cortam-se as roupas
Costuram-se as carnes.
(e voce pode lamber as minhas feridas
outra vez).
Cabelos caem novamente
sobre o rosto
E nada os remove. Apodrecem,
Criam-se
Rugas nos lugares.
(as tesouras do barbeiro
sujaram
De prateado meus cabelos).
As tesouras nao sao de metal,
Sao feitas de tempo.
Mar Del Plata, 7 de janeiro de 2005

1 Comments:
eu quis um dia de sonhos nas mãos.
/mrs. miranda
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